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Oferendas de Luz no Mandala de Borobudur

 

Sitio Vida de Clara Luz, 27 de maio de 2007

Bom Dia,

Hoje vamos fazer as oferendas de luz no Mandala de Borobudur. A palavra mandala em tibetano, vem de "kikor", quer dizer: do centro para os arredores e dos arredores para o centro.
Essa é a tradução literária. Ki quer dizer centro e kor arredores. Isso quer dizer que qualquer ponto ao redor está em harmonia com o centro. É esta forma de equilíbrio, tanto externo quanto interno, que temos de ter.

O centro representa a motivação, os objetivos que guiam nossa identidade mais profunda. Por isso, todas as ações de nossa vida, sejam as mais íntimas ou as mais externas, devem sempre estar em harmonia com nosso centro.

No momento em que uma ação qualquer de nossa vida não estiver em harmonia com nosso centro, automaticamente nos fará também perder a harmonia com outras coisas. Este é um dos significados do que representa um mandala em geral.

O Mandala de Borobudur representa o que é chamado de poder da união dessas quatro energias.
Ele é dividido de uma forma bem clara em quatro direções. Cada uma delas está relacionada com uma forma de poder, um tipo de realização.

O leste representa o poder de pacificação: pacificar os ciúmes, os transtornos, os sofrimentos em geral, sejam eles internos ou externos.

O sul representa o poder de incremento, isto é, aumentar a sabedoria, o amor, a compaixão, a amizade, assim como melhorar a saúde.

O oeste refere-se ao poder de subjugar. A tradução do tibetano para o português desta palavra não é muito boa, mas quer dizer "o poder de poder", o poder de agregar. Em geral, na nossa cultura a palavra poder tem uma conotação meio negativa. Mas, nesse caso, trata-se do poder de ter uma influência positiva sobre as pessoas, de usar os sentimentos como energias positivas. Por exemplo: às vezes, podemos ter a melhor motivação do mundo, mas não temos como controlar a situação e não conseguimos colocar em prática nossa intenção positiva. Então, essa é a energia relacionada a esse poder.

O norte representa o que é chamado de poder irado ou poder de realização. Algumas vezes é preciso ser um pouco mais duro, mais direto para ter um resultado sobre algo. Isso não quer dizer que temos de sentir raiva. Raiva é outra coisa, é o desejo de que o outro sofra. Já o poder irado refere-se a usar uma força maior baseada na compaixão, quer dizer no amor, entusiasmo, força para produzir, fazer com que algo aconteça, independente das dificuldades.

O que é fazer uma oferenda de luz?
Fazer uma oferenda de luz significa várias coisas, mas, em essência, significa sair da escuridão.
Então, qual é a escuridão? A ignorância. Ignorância em vários sentidos: não entender as coisas de forma correta, não conseguir compreender o outro nem a si mesmo. Como vemos o mundo, o jeito como achamos que ele deveria ser...

Quando fazemos uma oferenda de luz, acendemos as velas e oferecemos sua luz aos Buddhas. Não como forma de veneração ou idolatria, mas com a motivação de conseguir dissipar a escuridão da ignorância de nosso interior e de nossa sociedade.

Antes de acender as velas, fazemos a purificação dos cinco elementos - espaço, vento, fogo, terra e água - e depois acendemos as velas com a motivação de oferecer luz a todos os seres sagrados de luz, e pedimos então que, através disso, a gente possa estar em forma luminosa, iluminando nossa ignorância para poder ajudar os outros. O fato de fazer esta oferenda para os seres sagrados multiplica a força de nossos pedidos. Ao final, dedicamos essa luz visualizando que ela se expande nas dez direções, iluminando toda e qualquer ignorância.

Lama Michel realiza então a cerimônia com várias rezas e todos acendem as velas ao redor da Mandala de Borobudur.

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